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As crianças

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Mensagem por † Lobo † em Seg 4 Fev 2013 - 1:45

No interior do estado de Minas Gerais havia um pequeno vilarejo. As
pessoas viviam tranqüilamente sua paz e tranqüilidade. O dia passava
calmamente, com um belo sol e pássaros cantando a primavera que havia
chegado.

Junto com a primavera, chega um forasteiro. Um rapaz de São Paulo que
está fazendo pesquisas com os insetos da região. Ele se hospeda no único
hotel da cidade. Ao pegar as chaves, recebe uma advertência do
atendente:



- Muito cuidado, Doutor. As noites de primavera dessa cidade são amaldiçoadas...



- Mas por que? Perguntou o rapaz...



- Demônios do inferno... todas as noites eles saem para fazer algazarra.
São dezenas de crianças que atormentam a cidade. Elas já mataram muita
gente por aqui... - Mas que bobagem...



O jovem pegou suas coisas e foi para o seu quarto. Com o cair da noite, o
rapaz se preparava para sair em sua busca por exemplares de insetos na
região. Ficou preocupado com a história do atendente mas pegou seu facão
por garantia. Ele achava que deveriam ser delinqüentes, e não
demônios...



E lá se foi, o biólogo em busca de seus animaizinhos... uma cigarra
aqui, um gafanhoto dali... até que o silencio se torna total na cidade.
Seu relógio marcara meia-noite e os ponteiros não se movimentavam mais. O
jovem puxa seu facão e fica preparado. Ele escuta sons. Vozes. Vozes de
crianças. É impossível entender o que elas diziam... mas vinham em sua
direção. Não era possível identificar as imagens, apenas vultos que se
moviam rapidamente. E estavam se aproximando. O desespero toma conta do
rapaz. Eles vem em sua direção. Ele tenta fugir, mas as crianças são
mais rápidas do que ele. Até que as crianças o pegam e o levam para a
porta da igreja sendo arrastado pelas pernas. Elas são muito fortes e
rápidas. Gritos, risadas e muitos gemidos. As crianças batem a mão dele
no chão e gritam a cada pancada. O rapaz sente dores terríveis.



Uma das almas pega o facão de sua mão. Outras duas o deitam de costas
para o chão. Preocupado, e prevendo sua morte, ele fecha os olhos e ouve
o barulho do seu facão batendo no chão de terra. Ao abrir os olhos, as
crianças haviam sumido e seu facão estava cravado na terra. O jovem não
entendia como poderiam ter enterrado um facão de 30 centímetros até o
cabo .



Depois de passar o susto, ele resolve retirar sua arma da terra. Depois
de muita dificuldade ele resolve cavar para facilitar a saída da arma.
Mas ao cavar uns 20 centímetros de solo ele sente que seu facão está
cravado em algo sólido. Era branco. Ao retirar mais terra do local ele
percebe a surpresa. Era um crânio. De uma criança indígena, ainda com os
colares e peças de rituais. Ao tocar no crânio, as crianças aparecem
repentinamente ao seu lado, porém em silêncio. Agora ele consegue
definir seus rostos. Elas pedem para que ele continue cavando. Ele busca
uma pá e cavar em volta da igreja. O jovem rapaz encontra dezenas de
corpos e descobre o mistério. As crianças atormentavam a vila porque ela
foi construída sobre um cemitério de crianças indígenas, dizimadas pela
colonização da região. Suas almas não conseguiam descansar em paz até
que as casas que estavam sobre o terreno sagrado foram removidas do
local.



Depois desse dia, os "demônios baderneiros" nunca mais forma vistos na cidade.
† Lobo †
† Lobo †
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