Sobrenatural Brasil
Gostaria de reagir a esta mensagem? Crie uma conta em poucos cliques ou inicie sessão para continuar.

Roswell - Avaliando o mito PARTE II

Ir em baixo

default Roswell - Avaliando o mito PARTE II

Mensagem por † Lobo † em Ter 19 Mar 2013 - 16:11

O número de OVNIs e o local da queda



Outro aspecto extremamente importante e que ao contrário do que era suposto acontecer, levanta imensas dúvidas é a do número de OVNIs envolvidos e o local da queda ou quedas. De acordo com o investigador Stanton Friedman caíram em Roswell dois ovnis que chocaram entre si, para Kevin Randle só um caiu devido a um relâmpago. Os documentos MJ-12 que caiu um OVNI mas não avança com explicações.



Quanto ao local, de acordo com Friedman o OVNI caiu a duas milhas e meia a este-sudeste do Rancho Foster. Local que foi primeiramente confirmado por Frank Kaufmann, contudo importa referir que ao avançar com este local, o mesmo já tinha sido referido no livro de Stanton Friedman “Crash at Corona” e no livro de Randle e Schmitt “UFO Crash at Roswell”, pelo que facilmente se poderia ter baseado neles.



Segundo o livro mais recente da dupla de investigadores o OVNI caiu a 56 kms a norte de Roswell e a oeste da autoestrada 285 que coincide com a primeira versão de Jim Ragsdale e com a segunda versão de Frank Kaufmann. Finalmente de acordo com a última versão de Ragsdale, o OVNI caiu a mais de oitenta kms oeste-noroeste de Roswell, nas Capitan Mountans perto da cidade de Arabella. Local que é apoiado pelo Internacional Roswell Museum fundado por Glenn Dennis e Walter Haut. Na realidade o museu tentou comprar o primeiro local identificado por Ragsdale para poder cobrar ingressos pelas visitas, mas não o tendo conseguido optaram por deslocar o local para um terreno público que compraram, recebendo Ragsdale 25% dos lucros que passariam para os netos, já que lhe haviam diagnosticado um cancro terminal[49]. Por último os documentos MJ-12, asseguram que o local era a 75 milhas a Norte de Roswell[50].



O número dos cadáveres e as suas descrições



Outro problema com esta teoria é o número de cadáveres apontado e as suas descrições. Por um lado a enfermeira “contou” a Dennis Glenn que “viu” três cadáveres mortos, o sargento Melvin Brown viu entre três a quatro cadáveres e Frank Kaufmann cinco. A primeira tal como Ragsdale descreve os cadáveres como sendo pretos ou cinzentos escuros, grandes olhos negros e de intenso odor, o sargento como tendo uma pele de textura réptil amarelo-alaranjado e Frank Kaufmann, semelhantes a humanos, sem olhos negros pretos e de cor de azeitona. Nenhum deles referiu o odor. Por outro lado de acordo com Frank Kaufmann o OVNI e os corpos foram logo recuperados, o que entra em contradição com o testemunho de Glenn Dennis que afirmou lhe terem perguntado sobre modos de preservação de corpos expostos ao Sol e aos elementos durante dias, assim como o odor.



Poderíamos tentar encontrar uma explicação salomónica, afirmando que os cadáveres de Glenn Dennis são de um primeiro OVNI e os de Frank Kaufmann de um segundo. Todavia esta teoria apresenta algumas questões; em primeiro lugar nem Dennis nem Kaufmann fazem referências a segundos OVNIs ou a outros cadáveres. Acreditando nas palavras de Kaufmann que supostamente vigiava os ecrãs de radar e fazia parte de um grupo secreto chamado “The Hunholy 13” apenas um OVNI foi detectado e caiu. Já vimos que para Kevin Randle só caiu um OVNI e Stanton Friedman não acredita na história da Kaufmann. Por outro lado, teria de haver três locais distintos, o primeiro dos destroços no Rancho Foster, o segundo do primeiro OVNI e o terceiro do segundo OVNI. Em lado nenhum estas afirmações são feitas, nem pelos autores nem pelas testemunhas.



Por último como vimos em nenhuma das testemunhas mais conhecidas há a ideia de um et vivo, somente na história de Ruben Abaya[51] e exagerado no filme “Roswell”.



Descrição dos OVNIs



Noutro ponto onde há discórdia é no que diz respeito às descrições do OVNI. Os Wilmot descreveram como dois pratos colados um no outro, Jim Ragsdale em forma de disco e com pequenas asas e finalmente Frank Kaufmann como sendo triangular. Nenhuma das outras testemunhas afirma ter visto o objecto, apenas os seus destroços que serão analisado mais à frente.



Outras evidências



Para finalizar a avaliação da hipótese extraterrestre como a verdadeira causadora do incidente, importa referir outros três pormenores. De acordo com investigadores ninguém do esquadrão 509º se lembrava de qualquer agitação causada por discos voadores, ou qualquer existência de corpos estranhos em Julho de 1947 e após uma análise do livro de visitas da base durante o referido período, constata-se que este se manteve normal, quer no tipo de visitas que no número[52]. Situação aliás confirmada pela única enfermeira sobrevivente a ser entrevista, que todavia faleceu em 1988, que igualmente não se recordava de nada anormal.



Finalmente outro argumento contra esta hipótese vem do famoso investigador Jacques Vallée, que após examinar o grau de alerta nas diversas bases americanas no mês de Julho de 1947, não viu nada de extraordinário, o que acertadamente estranhou, pois de certo que se um OVNI extraterrestre tivesse caído em solo americano, o governo deveria estar preocupado se faria parte ou não da vanguarda de ataque.



Parte IV

Analisando a Hipótese do Balão Mogul



Sem dúvida que a hipótese extraterrestres é a hipótese mais divulgada e correntemente aceite pelos ovnilogistas, mas será que haverá uma outra capaz de explicar o sucedido no estado do Novo México?



A hipótese de os destroços provirem de um balão Mogul foi tornada famosa, quando a Força Aérea americana divulgou o seu primeiro estudo em 1994, conclusão que recebeu grande resistência por parte dos investigadores de OVNIs. Todavia é curioso notar que quem primeiro avançou com esta teoria foi o ovnilogista Robert Todd que ao investigar o caso e recorrendo extensivamente à FOIA (Freedom of Information Act) chegou à conclusão de que a explicação mais provável seria a do projecto Mogul. Analisemos então os argumentos.



O Projecto Mogul



O nome Mogul é o nome militar dado a um estudo ultra secreto, inspirado em 1945 pelo memorando do geofísico William Maurice Ewing, para a Força Aérea realizado pela Universidade de Nova Iorque, que tinha por intuito criar balões de alta altitude, capazes de utilizando o “sofar” (sound fixing and ranging) através da “conduta acústica” da tropopausa, causada pela interacção entre a tropoesfera e a estratoesfera, que detectassem lançamentos nucleares da União Soviética[53]. Numa altura em que os Estados Unidos eram a única potência nuclear, foi dado a este projecto um nível de secretismo de A-1, o grau mais elevado e igual ao do Projecto Manhattan (que deu origem à primeira bomba nuclear). De facto o projecto só foi desclassificado em 1973, altura em que os próprios cientistas souberem do seu nome militar, Mogul.



O balão Mogul que media quase 200 metros de altura, era composto por cerca de vinte a trinta balões meteorológicos de neoprene ligados entre si, e por uma carga composta de transmissores de informação, controlo de altitude e para quedas. Tudo isto ligado por um complexo sistema de ligamentos de linhas de nylon. Os balões meteorológicos eram equipados com alvos de radar muito semelhantes aos Rawin, ainda que diversos modelos de balões e alvos de radar tivessem sido utilizados nas pesquisas.



No verão de 1947 as equipas de pesquisa operavam na Base Aérea de Alamagordo, que se situa a cerca de noventa milhas aéreas da cidade de Roswell.



O Culpado



Numa primeira investigação os ovnilogistas pensaram que o culpado dos destroços teria sido o voo NYU 9, lançado entre o dia 3 e o dia 4 de Julho (data muito próxima da apresentada por Randle), que se despenhou e nunca tinha foi recuperado. Todavia dois pormenores inviabilizavam esta teoria, em primeiro lugar o balão do voo 9 era demasiado pequeno, contendo apenas alguns balões meteorológicos de neoprene, sem instrumentos e sem reflector de radar. Por outras palavras, nunca poderia ter causado a quantidade de destroços avançadas pelas testemunhas, nem teria material capaz de ter sido considerado estranho por Jesse Marcel e outros. Por outro lado no livro “The Roswell UFO Crash: Update”, Kevin Randle demonstrou que os ventos da altura teriam levado o balão para longe do Rancho Foster.



Todavia um pormenor tinha escapado aos investigadores, é que segundo a própria declaração de Mac Brazel, os destroços teriam sido descobertos no dia 14 de Junho e não no dia 2 ou 4, avançados pelos investigadores baseados nas testemunhas de OVNIS e não nas palavras do rancheiro. Assim, procuraram nos arquivos que outro voo poderia ser o culpado. Descobriram então o voo NYU 4 lançado a 4 de Junho. Este voo consistia num balão com cerca de vinte e um balões meteorológicos de neoprene, um microfone sonda, explosivos para regular a altitude do aparelho, interruptores de pressão, baterias, anéis de lançamento e de (assembly) de alumínio, três ou quatro para quedas de pergaminho reforçado de cor vermelha ou laranja e três alvos reflectores de radar de um modelo não normalmente usado no continente dos Estados Unidos.



De acordo com o diário do Dr. Crary, um dos responsáveis do projecto, o voo NYU 4 foi acompanhado pelo radar até que desapareceu a cerca 27 km de distância do Rancho Foster. As cartas meteorológicas da altura demonstram contudo, que de acordo com os ventos prevalecentes na altura, é possível que o mesmo se tenha vindo a despenhar no local onde Mac Brazel os encontrou dez dias depois.



Os Destroços



Estabelecemos que existe uma grande probabilidade de os destroços vistos e recolhidos por Brazel e Marcel serem do voo NYU 4 do projecto Mogul. Todavia a força desta teoria apenas se pode comprovar quando comparada com as descrições dadas dos destroços pelas testemunhas que estiveram no Rancho Foster. Nesta parte seguiremos de perto a comparação feita por Lynn Picknett[54] e Karl Pflock[55]. Vejamos.



Mac Brazel descreveu os destroços como “tiras de elástico, papel de alumínio, um papel bastante duro e paus” e que nos destroços eram possível ver “fita-cola com flores desenhadas nela”. A sua filha Bessie disse que “Havia o que pareciam ser pedaços de um papel extremamente encerado e um material semelhante a papel de alumínio. Alguns desses pedaços tinham uma espécie de números e letras, mas nenhumas palavras que conseguíssemos perceber. Alguns dos pedaços de papel de alumínio tinham uma espécie de fita-cola presos neles, que quando expostos à luz mostravam uns desenhos ou pastel de flores”. Jesse Marcel descreveu como “pequenas varas rectangulares de 12 mm quadrados com uma espécie de hieróglifos que ninguém conseguia decifrar. Que alguns destroços pareciam “balsa-wood”, que “tinham o mesmo peso mas que não eram de madeira, que eram muito duros mas flexíveis e que não se conseguiam queimar”. Afirmou ainda que “havia uma grande quantidade de um material castanho parecido a papel pergaminho que contudo era extremamente forte e uma quantidade enorme de pequenos pedaços de uma substancia parecida ao papel de alumínio mas que não era papel alumínio” e que o Capitão Sheridan Cavitt tinha descoberto “uma caixa metálica preta que era a única coisa que parecia algum tipo de instrumento de navegação ou electrónico” e finalmente o seu filho, Jesse Marcel Jr, afirma ter visto nos destroços varas em forma de I[56] contendo hieróglifos roxos e que o material depois de amachucado, voltava à sua forma natural. Por último temos a descrição do fotógrafo J. Bond Johnson que fotografou os destroços na sala do General Ramey e que descreveu um “forte odor a lixo”.



Confrontado com estas descrições, o Prof. Charles B. Moore do projecto Mogul, curiosamente testemunha a 24 de Abril de 1949, de um dos mais impressionantes e ainda por explicar relatos OVNI[57], encontrou as seguintes explicações; quanto à existência de tiras de borracha, papel alumínio reforçado e paus de madeira, são materiais efectivamente utilizados na construção daquele tipo de balões, as referências a um papel tipo pergaminho castanho e resistente seriam muito provavelmente os para quedas que apesar de serem pintados de vermelho ou laranja, com o passar do tempo e expostos ao Sol (como parece ter sido o caso) ficavam acastanhados. Quanto à caixa preta encontrada por Cavitt, explicou que normalmente os balões tinham essas caixas que continham as baterias[58].



Quanto às varas que continham “hieróglifos” roxos e que não se conseguiam queimar, o Prof. Moore explicou que muitas vezes era utilizada uma fita-cola para reforçar a estrutura dos alvos reflectores de radar, que tinha sido adquirida numa empresa construtora de brinquedos de Nova Iorque e que tanto quanto se lembrava era de cor clara, semi-opaca, com cerca de duas polegadas de largura e que continha impressa figuras de flores de cor roxa e cor-de-rosa. Explicação muito semelhante à descrição dada por Irving Newton (ver infra).



No que diz respeito à resistência ao fogo admite que talvez seja derivado à cola que utilizavam na ponta das varas, o que as fazia ter alguma resistência ao fogo[59]. Por último quanto ao cheiro testemunhado por Johnson, explica facilmente dizendo que haviam dois motivos para os balões de neoprene cheirarem mal. O primeiro porque é isso que ocorre quando os balões rebentam e segundo, explicou que antes de serem lançados os balões eram submersos em água quente o que aumentava a sua resistência e durabilidade e que infelizmente intensificava também o cheiro emitido aquando de um rebentamento.



Sob esta perspectiva entende-se agora porque motivo nem Mac Brazel, nem Jesse Marcel, nem mesmo os militares da base de Roswell conseguiram identificar os destroços e afirmaram não ser os de um balão meteorológico. De facto o que estavam a testemunhar era algo diferente, conhecido apenas senão por um grupo restrito de cientistas e que continham instrumentação não acessível nem reconhecível à maioria das pessoas. Por outro lado o tamanho do balão corresponde com as informações dadas por Marcel sobre o tamanho do campo de destroços.



Inconsistências



Se é por de mais evidente que as explicações do Prof. Charles B. Moore e que podem ser verificadas nos ficheiros e diagramas do projecto, respondem à maioria das descrições feitas pelas testemunhas mais credíveis e que tiveram contacto directo com os destroços, dois pormenores parecem contudo não bater certo. O primeiro quanto ao testes que Marcel afirmou terem sido feitos, nos quais os materiais não podiam ser dobrados nem amolgados. Todavia não existem testemunhas ou evidências destes testes, e tendo em conta outras inconsistências e exageros na história de Marcel, estas informações não devem ser tomadas muito em consideração. O segundo pormenor é a capacidade muitas vezes relatada de que o material depois de amolgado regressar à sua forma original. Todavia há que ter um aspecto em consideração estas propriedades anómalas associadas também a uma grande resistência e um peso diminuto[60], aparecem pela primeira vez no livro “The Roswell Incident” em 1980 e exceptuando Marcel e o seu filho, quando todas as outras testemunhas informaram os investigadores das propriedades dos destroços que teriam visto, o livro já tinha saído e é curioso notar, como faz Kal Korff, que nenhuma das outras testemunhas avança com outro tipo de propriedades ou de pormenores quanto a um material tão “exótico”. Consideremos ainda como já foi visto que muitas das testemunhas passaram de apenas ter ouvido descrições do objecto para as terem visto. Mas, de facto, a ser verdade que o material podia ser amachucado e depois voltava ao normal, não é consistente com nenhum tipo de material utilizado no Balão Mogul, o que todavia não é indicação de que o material seja extraterrestre[61], não se aplicava à totalidade dos fragmentos e nem é corroborado por todas as testemunhas.



Para terminar há contudo que admitir que tirando esta descrição, todas as outras são inconsistentes com o material de uma nave interplanetária, que deste modo seria formado por paus que parecem madeira, tiras de elástico, um duro papel pergaminho castanho e material semelhante a papel de alumínio.



O Encobrimento



Logo no primeiro livro alguma vez publicado sobre Roswell os autores avançam com a ideia de ter havido um encobrimento, tendo a Força Aérea divulgado a história do balão meteorológico para ocultar a queda e recuperação de um OVNI de origem extraterrestre.



Esta ideia lançada pelo Major Jesse Marcel tem também apoio nos testemunhos de Bessie e Bill Brazel que afirmam que o seu pai foi obrigado a fazer um juramento em como não contaria a ninguém o que tinha descoberto no terreno, acordo que cumpriu até à sua morte. A ideia de um encobrimento é corroborada nos testemunhos e amigos de Mac Brazel que afirmam que nos dias posteriores à sua descoberta este era acompanhado e vigiado pelos militares. Dados demasiado importantes para ignorar.



Mas a questão sobre se houve ou não encobrimento já não se debate, a própria Força Aérea admitiu-o em 1994 aquando da publicação do seu relatório: “Roswell: Facts vs Fiction in the New Mexico Desert”. A pergunta actual é antes, o que tentaram encobrir? Analisemos os dados.

De acordo com Jesse Marcel, quando este voltou do Rancho Foster foi ordenado para viajar até à Base de Carswell juntamente com os destroços e para se apresentar ao General Roger Ramey. Afirmando que quando entrou na sala do mesmo, o General mandou entrar Irving Newton o meteorologista da base, que identificou o objecto como sendo um balão meteorológico Rawin. Entretanto J. Bond Johnson tiraria as fotos que ficariam famosas mostrando Jesse Marcel com os destroços do balão meteorológico. Jesse Marcel afirmaria aos investigadores iniciais que os destroços foram substituídos e que teriam feito dele um bode expiatório, afirmando contudo que em pelo menos uma foto estão presentes os destroços verdadeiros, que de acordo com o relato do meteorologista, Marcel tentou convence-lo de que eram destroços de um disco voador (ver supra).



Entrevistando o assistente de Ramey trinta e dois anos depois do sucedido, o Coronel Thomas J. Dubose admitiu a William Moore que tinha havido um encobrimento afirmando que: ”A história do balão meteorológico foi uma invenção para “apagar o fogo” e que julgava ter sido o General Ramey a inventar essa história. Contudo, confrontando com a hipótese de os destroços terem sido substituídos por uns de um balão meteorológico afirmou: “Tretas! O material nunca foi substituído”, segundo o mesmo, foi ele pessoalmente que recebeu o avião vindo de Roswell e que transportou numa bolsa de correio os destroços para o escritório do general Ramey. Portanto, de acordo com o Coronel, o material exposto era o mesmo que tinha vindo de Roswell o que voltou a confirmar depois de olhar para as fotos tiradas.



Como explicar esta aparente contradição? Por um lado o Coronel afirmou que tinha havido um encobrimento e que a história do balão meteorológico era falsa, por outro, afirmou que o material era o mesmo que tinha vindo de Roswell. A solução de acordo com Lynn Picknett[62] é bastante fácil, sendo o balão Mogul constituído por balões meteorológicos e outros materiais consistentes com balões normais, apenas expuseram estes na conferência de imprensa.



Mas as evidências de um encobrimento não acabam aqui. Enquanto Irving Newton examinava os destroços ouviu o General Ramey dizer que o voo para a base Wright-Patterson no Ohio tinha sido cancelado. Todavia existem fortes indícios de que tal voo de facto aconteceu, voo corroborado pela testemunha Pappy Henderson. De facto se os destroços fossem de um simples balão meteorológico nunca teriam sido mandados para Wright-Patterson para análise, o que é demonstrado também pelo telex do FBI que é muitas vezes apresentado como prova da queda de um OVNI mas que como examinaremos de seguida, não o é.



O Telex do FBI



Sensivelmente uma hora depois do comunicado de imprensa que desmistificava o caso, por volta das 18h17 do dia 8, o escritório do FBI em Dallas mandou um telex para o director do FBI J. Edgar Hoover em Washington dizendo o seguinte: “O disco tem uma forma hexagonal e estava suspenso a um balão por um cabo, sendo que o balão tinha aproximadamente 6 metros de diâmetro”. O telex afirma ainda que de acordo com a base de Fort Worth o disco assemelhava-se com um balão meteorológico de alta altitude acoplado com um reflector de radar, mas a Base de Wright-Patterson não concordava. E que por isso: “o disco e o balão estavam a ser transportados para esta base num avião especial”.



Portanto como vimos deste telex desclassificado na década de 70, tudo indica que de facto um voo secreto partiu de para Ohio, transportando o resto do material recuperado, contrariando a versão oficial. Material que de acordo com o telex não se assemelha em nada a um disco voador mas antes a um balão.



O Relatório da Força Aérea Norte-Americana de 1997



Uma das principais críticas que os ovnilogistas lançaram ao relatório oficial de 1994 “The Roswell Report: Fact vs. Fiction in the New México Desert”, era o facto de não lidar com a questão dos cadáveres recuperados. Assim por alturas do quinquagésimo aniversário de Roswell e por coincidência divulgado no dia 24 de Junho, a Força Aérea publicou o seu mais recente e ultimo relatório intitulado: “Roswell- Case Closed”.



Rapidamente se tornou claro que o relatório continha um sem número de afirmações e de explicações que eram simplesmente ridículas para explicar a existência de corpos, usando basicamente dois argumentos, bonecos e fiabilidade da memória, um necessariamente subsidiário do outro como veremos. Exemplificando; aclarou que os corpos eram muito provavelmente descrições de bonecos de teste lançados a altas altitudes de para quedas. Contudo como esta explicação apenas era válida a partir de 1954 ano em que começaram as ditas experiências, tiveram de explicar que todos os testemunhos se deviam a uma má memória que tinha misturado dois eventos separados no tempo por diversos anos. Se é certo que a memória (mesmo a mais recente) não é tão exacta como anteriormente se pensava e que na realidade se degrada muito com o passar do tempo, a explicação casuisticamente não se pode aplicar a todas as testemunhas do caso Roswell. Mas a Força Aérea foi ainda mais longe; como as descrição dos corpos diferiam muito das de humanos e os bonecos tinham sido afinal feitos para se assemelharem a pessoas (daí o objectivo dos bonecos), avançaram com explicações de que com as quedas os bonecos se teriam partido parecendo mais pequenos, o mesmo acontecendo com os dedos que assim se podiam adaptar às descrições de quatro dedos, etc.



Como demonstrámos as explicações da Força Aérea não convencem e acabaram por ter o efeito contrário ao desejado, causando ainda mais suspeita do público sobre a Força Aérea, as suas actividades e contribuindo para a mistificação do caso. Mas por que falhou o relatório? Por que partiu de um pressuposto errado, o que de os relatos de cadáveres eram idóneos e que por isso teve que arranjar uma explicação à força para lidar com este aspecto do caso. Todavia como vimos, o núcleo de pessoas a quem se pode atribuir terem visto cadáveres é restrito, e não apresenta credibilidade.



Considerações Finais



Sendo formado em Direito, se fosse Juiz e se me deparasse com um caso onde não há certezas sobre a data, sobre o número de objectos envolvidos, sobre o local ou locais onde caiu/caíram, onde não há concordância entre o número de cadáveres, nem quanto às suas descrições e onde as testemunhas mudaram sistematicamente a história, aumentando os detalhes quando deveria ter sido o contrário devido ao natural passar do tempo e aumento da idade, não teria outro remédio senão declarar o caso como não provado, e com a possibilidade de elevada de ser falso, ou pelo menos as pretensões avançadas. Creio que após este trabalho, demonstrei no mínimo que este caso não é de todo sólido nem bem fundamentado e no máximo que nenhuma aeronave de origem extraterrestre se despenhou em Roswell, tendo sido antes um balão Mogul. Creio ainda que qualquer pessoa dotada de senso comum, chegará à mesma conclusão. Sendo comum que deve nortear a investigação OVNI.



No fundo pretendi demonstrar que questionar o caso Roswell não é criticar a ovnilogia, não é minar a ovnilogia, nem pode ser visto como um acto de traição, ele é antes a postura natural de um investigador que deparado com questões contraditórias as expõe, faz nascer a discussão, esperando com isso contribuir para a verdade material do caso. A ovnilogia não pode criar mitos, não se pode alicerçar em dogmas, nem em tabus, sob o risco de um dia colapsar se provados falsos. A ovnilogia como ramo do conhecimento que é, deve e tem de ser um exemplo de curiosidade intelectual, de pesquisa livre e da livre discussão, caso contrário, tornar-se-á no oposto daquilo que nasceu para ser; a divulgação séria, completa e isenta de casos OVNI.

Agosto de 2005



*Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa





Bibliografia



.Crash at Corona, Stanton Friedman e Don Berliner, 1992

.Documentos MJ-12, divulgados em 1987

.Roswell –Inconvenient Facts and The Will to Believe, Karl T. Pflock, 2001

.Roswell UFO Crash Update, Kevin Randle, 1994

.The Mammoth Book of Ufos, Lynn Picknett, 2001

.The Roswell Incident, William Moore e Charles Berlitz, 1980

.The Roswell UFO Crash –What They Don´t Want You to Know”, Kal. K. Korff, 1997

.The Truth about the UFO Crash at Roswell, Kevin Randle e Donald Schmitt, 1994

.UFO Crash at Roswell, Kevin Randle e Donald Schmitt, 1991


[1] A primeira a 22 de Junho de 2005, no programa “Contrabando” da Rádio Interna do Instituto Superior Técnico e a segunda a 23 de Junho de 2005 no programa televisivo “Curto Circuito” da SIC Radical

[2] Foram descritos ao longo dos anos OVNIs de tantos formatos e feitios que é enganador e redutor chamar o fenómeno de “Discos Voadores”.

[3] Como é o caso de Jerome Clark e de Stanton Friedman que o chama de o “Watergate Cósmico”

[4] No seu comunicado à imprensa a Força Aérea norte-americana admitiu que um disco voador tinha aterrado e que o mesmo tinha sido recuperado. Não mencionou nem queda, nem destroços como a história é conhecida, antes pelo contrário, dando a ideia de que se apoderou dele intacto, certamente para não atrair curiosos para o local do impacto.

[5] Jornal “Roswell Daily Record” de 9 de Julho de 1947

[6] Responsável pelo bombardeamento de Hiroxima e Nagasaki

[7] Muitos investigadores afirmam que esta declaração foi feita sobre coacção psicológica por parte dos militares. Analisaremos esta afirmação supra.

[8] Jornal “Roswell Daily Record” de 9 de Julho de 1947

[9] Ibid.

[10] Berlitz e Moore, The Roswell Incident, pp. 86.

[11] Friedman e Berliner, Crash at Corona, pp. 83

[12] Kal. K. Korff “The Roswell UFO Crash” –What They Don’t Want You to Know, pp. 53

[13] Berlitz e Moore, The Roswell Incident, pp. 97

[14] Berlitz e Moore, The Roswell Incident, pp. 89 e 90

[15] Friedman e Berliner, Crash at Corona, pp 85.

[16] Berlitz e Moore, The Roswell Incident, pp. 92

[17] Randle e Schmitt, The Truth about the UFO Crash at Roswell, pp. 32

[18] Friedman e Berliner, Crash at Corona, pp. 72

[19] Berlitz e Moore, The Roswell Incident, pp. 93

[20] Kal. K. Korff “The Roswell UFO Crash” –What They Don’t Want You to Know, pp. 48

[21] Ibid, pp. 59.

[22] Philip J Klass, Skeptics UFO Newsletter

[23] Charles Berlitz e William Moore, The Roswell Incident, pp. 67

[24]Contudo em 1993 Haut mudou a sua história dizendo que: “Estou convencido que o material recuperado era de um qualquer tipo de nave do espaço exterior”.

[25] Lynn Picknett, The Mammoth Book of UFOs, pp. 203

[26] Philip J Klass, Skeptics UFO Newsletter, pp. 124

[27] Variando consoante as suas opiniões pessoais sobre o caso, que serão demonstradas infra.

[28] Friedman e Berliner, Crash at Corona, pp. 116

[29] Friedman e Berliner, Crash at Corona, pp. 118

[30] Randle e Schmitt, The Truth about the UFO Crash at Roswell, pp. 14

[31] Lynn Picknett, The Mammoth Book of UFOs, pp 222.

[32] Esta é também a opinião avançada no relatório de 1997: Roswell –Case Closed, divergindo contudo num pequeno pormenor. Enquanto que o investigador Karl Pflock considera que Glenn Dennis mentiu inspirando-se neste incidente para a sua história, a força aérea considera que o mortuário apenas confundiu a data dos dois incidentes e identificou erroneamente os cadáveres.

[33] Karl T. Pflock, Roswell –The Will to Believe and Inconvenient Facts, pp. 138 a 141

[34] Karl T. Pflock, Roswell –The Will to Believe and Inconvenient Facts, pp. 136

[35] Roswell Daily Record de 8 de Junho de 1987

[36] Karl T. Pflock, Roswell –The Will to Believe and Inconvenient Facts, pp. 136

[37] Kal. K. Korff, The Roswell UFO Crash, What They Don´t Want You To Know, pp. 84

[38] ibid pp. 84

[39] Lynn Picknett, The Mammoth Book of UFOS, pp. 225

[40] Lynn Picknett, The Mammoth Book of UFOs, pp. 227

[41] Karl Pflock, Roswell Inconvenient Facts and the Will to Believe, pp. 74

[42] The Truth about the UFO Crash at Roswell, Randle e Schimtt, pp. 7

[43] James MacAndrew, pp.216

[44] Karl T. Pflock, Roswell –Inconvenient Facts and the Will to Believe pp 53.

[45] Philip J. Klass, Skeptics UFO Newsletter, pp. 145

[46] Conversa telefónica de 14 de Novembro de 1993.

[47] Para mais informações sobre a “Queda nas Planícies de San Agustin” ver “Quedas de UFOs” da colecção Revista UFO.

[48] Documentos MJ-12, pp. 3

[49] Philip J. Klass, Skeptics UFO Newsletter, pp. 146

[50] Documentos MJ-12, pp. 3

[51] Muito sucintamente Ruben Anaya afirma que enquanto motorista para o Governador-Tenente do Novo México Joseph Montoya, um dia por volta da altura do incidente de Roswell, recebeu um telefone deste, muito nervoso pedindo-lhe que o fosse buscar rapidamente ao hangar grande da base. No carro contou que tinha visto três cadáveres de extraterrestres e um vivo. O problema com esta história é que é em segunda mão, a história mudou ao longo do tempo e os registos tanto do Governador-Tenente como da Base de Roswell não o colocam na base.

[52] Kal K. Korff, The Roswell UFO Crash –What They Don´t Want You to Know, pp. 77

[53] O primeiro lançamento soviético de uma bomba atómica deu-se a 22 de Setembro de 1949

[54] Lynn Picknett, The Mammoth Book of Ufos, pp. 236 e 237

[55] Karl T. Pflock, Roswell -Inconvenient Facts and the Will to Believe, pp. 159 a 165

[56] Em 1981 o Major Jesse Marcel contou à investigadora Linda Corley que o seu filho se tinha enganado nas descrições das varas, que seriam rectangulares e não em forma de I.

[57] Roswell –Inconvenient Facts and the Will to Believe, Karl T. Pflock, pp. 144

[58] Ibid. pp 161

[59] De facto excluindo a afirmação duvidosa de que os militares teriam feito testes de resistência, a única referência que temos válida é a de uma tentativa de queimar com um fósforo, o que dificilmente se adequa a um teste de resistência ao calor.

[60] Testemunho de Lewis S. Rickett

[61] Materiais terrestres existem que quando amachucados voltam à sua forma original. O invólucro de plástico que envolve uma palhinha de um pacote de leite, depois de amachucado volta à forma normal.

[62] Lynn Picknett, The Mammoth Bookf of UFOs, pp. 238
Bom Medo ExtremoRoswell - Avaliando o mito PARTE II Novas10
Fonte: portugalparanormal.com
† Lobo †
† Lobo †
ADMINISTRADOR

Mensagens : 2236
Data de inscrição : 28/11/2011

Ver perfil do usuário https://www.sobrenaturalbrasil.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum