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LOCOMOTIVA FANTASMA

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Mensagem por † Lobo † em Ter 22 Maio 2012 - 11:54

Em determinadas situações, as obrigações em vida são cumpridas mesmo estando no Além!

Este fato verídico aconteceu em Castelo, no Espírito Santo.

No dia 14 de março de 1946, meu pai, Manoel, saiu muito cedo de casa. Ia levar à estação da Estrada de Ferro uma encomenda para uma pessoa da família, a qual era residente em Cachoeiro de Itapemirim.

Não era a primeira vez que meu pai fazia tal coisa; freqüentemente, até, servia-se dos préstimos de um velho maquinista, seu conhecido, que se encarregava de fazer chegar as encomendas ao seu destino.

O trem, que era misto, partia às 5 horas e 30 minutos, tendo meu pai chegado à estação um quarto de hora antes, dirigindo-se à locomotiva, mas vendo que não havia ninguém dentro, resolveu esperar que o amigo chegasse.

Decerto tinha ido tomar um café, pensou meu pai. Mas o tempo foi passando 5, 8, 10 minutos.
Já estava na hora da locomotiva ir apanhar a composição, e nada do maquinista chegar. Nisto ouviu-se o apito do manobreiro, ordenando que a máquina se pusesse em movimento, indo encostar-se aos vagões para o engate, preparando-se para a partida.
Meu pai, que conhecia o serviço, ainda pensou com seus botões: - Vai ter que esperar que o maquinista chegue.
No mesmo instante, porém e com certo espanto, notou que a locomotiva começava a se movimentar, caminhando para a composição. Depois ouviu aquele ruído surdo, tão característico do entrechoque dos engates dos vagões com a locomotiva, e viu a locomotiva voltar, vagarosamente, sem esperar sinal algum.

O manobreiro gritou: - Êêêêê! Como é isto? Você ficou maluco, seu maquinista? Tem que esperar o sinal!
Volte que não engatou! Mas a locomotiva foi seguindo para frente, sempre em marcha lenta; passou por meu pai e foi estacionar exatamente no local de onde havia saído.

O manobreiro veio correndo, para tomar satisfações:
- Então, como é? Isto é a casa da sogra, ou... Mas, ao subir os degraus da máquina, parou, meio desconsertado, murmurando: - Diabo! Ou esta gente saltou sem eu ver... ou este negócio estava andando sozinho? - e saiu ruminando palavras, enquanto voltava para o seu lugar.

Já passava das 5 horas e 30 minutos, sendo que nesse momento o maquinista, que por um motivo qualquer perdera o horário, chegava esbaforido.

Meu pai dirigiu-se a ele, a fim de lhe entregar a encomenda.
Viu, porém, que não era seu velho conhecido, e sim uma outra pessoa que subiu à máquina apressadamente, e tratou de cumprir sua obrigação.

Nisto aproximava-se o manobreiro, a quem meu pai perguntou:

- Maquinista novo?
- Sim, este peste, que me chega com quase 10 minutos de atraso!
- E o outro? o que eu conhecia?
- O outro? Pois não sabe? Morreu, coitado, há oito dias, num desastre na linha Coutinho-Alegre.


E ajuntou, suspirando: - Aquele sim! Era eu dar o sinal, e a locomotiva fazia logo o que tinha de fazer!

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Fonte: alemdaimaginacao.com
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